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Bioimpressão 3D: o que é, como funciona e o que já foi feito no Brasil

05 de nov. de 2026 · 2 min de leitura
Ilustração de um bico de bioimpressora depositando aglomerados de células alaranjadas sobre uma placa.
Ilustração: Cursos 3D

Bioimpressão é imprimir em 3D com células vivas misturadas a um gel. Entenda as etapas, o que é biotinta e como pesquisadores da USP fizeram um minifígado funcional.

Em 1 minuto
  • Bioimpressão é impressão 3D feita com células vivas misturadas a um gel, a biotinta.
  • Na USP, pesquisadores fizeram um minifígado a partir de células do sangue, em cerca de 90 dias.
  • É pesquisa de laboratório. Órgão inteiro para transplante ainda não existe.

Assista primeiro

Vídeo do canal Agência FAPESP no YouTube, em português. O vídeo só carrega quando você clica.

O que muda em relação à impressão 3D comum

Impressão 3D comum Bioimpressão
Material plástico ou resina biotinta: gel com células vivas
Depois de imprimir a peça está pronta o tecido precisa amadurecer em cultura
Onde acontece casa, escola, fábrica laboratório de pesquisa

A ideia é a mesma: depositar material camada por camada, nos três eixos, até formar o volume. A diferença é que o “material” está vivo e precisa continuar vivo depois.

Como foi o minifígado da USP

Três etapas do minifígado feito na USP, em cerca de 90 dias: diferenciação, quando células do sangue viram células do fígado; impressão, com esferoides em biotinta de hidrogel; e maturação de 18 dias em cultura.

Segundo a Agência FAPESP, o estudo foi feito no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), na USP:

  1. Diferenciação: células do sangue são reprogramadas para virar células-tronco e depois células do fígado.
  2. Impressão: essas células, já em grupos, são misturadas à biotinta (um hidrogel) e impressas.
  3. Maturação: o tecido impresso fica 18 dias em cultura. Depois, uma reação deixa o gel firme o bastante para ser manipulado.

O tecido produziu albumina, uma proteína que só o fígado faz, e manteve as funções por mais tempo que em trabalhos anteriores.

O pulo do gato: células em grupos

Dois quadros com gel: à esquerda, células espalhadas uma a uma, que perdem contato entre si; à direita, as células em grupos redondos chamados esferoides, que mantêm a função por mais tempo.

Muitas técnicas espalham as células uma a uma no gel. Elas perdem contato entre si e o tecido perde função. A equipe da USP imprimiu as células já em pequenos grupos, os esferoides. Assim, o tecido funcionou por mais tempo.

Cuidados ao ler notícias sobre o tema

  • “Imprimir um órgão” quase sempre quer dizer um pedaço pequeno de tecido, testado em laboratório.
  • Os próprios pesquisadores dizem que ainda há etapas até um órgão completo.
  • Desconfie de quem vende “órgão impresso” ou tratamento com bioimpressão fora de pesquisa aprovada.

Próximo passo

A trilha Bioimpressão: fundamentos e ética está em produção. Ela vai tratar das técnicas e também das questões éticas do uso de células humanas. Enquanto isso, veja as outras trilhas da Cursos 3D.

Fontes

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